Eduardo Diniz Botelho
Escura passeia pelas ruas com seus netos,
A fumaça é obscura sobre os sobrados,
a água é turva, já quase sobre a ponte,
outros elementos são malcheirosos, acinzentados, esquecidos...
O guarda civil fiscaliza, passa um mendigo:
-Me dê um 'trocado'!
Este para sua alegria, pisa em lixo para pegar uma moeda;
todo o planeta assusta, tudo ao redor parece que se devasta.
As crianças olham as pessoas em movimento: é cotidiano.
As meninas: bocas e pernas fechadas, o perigo as ronda.
As apreensões de Escura: dissimulação familiar e dor.
Escura tem medo de não poder pagar o ônibus,
espera respostas que parecem nunca serem feitas,
nem sempre há dinheiro, mas passeia nas ruas.
Não há jardins, manhãs. Não há tempo.
(Uma releitura de 'Lembranças do mundo antigo' - Drummond de Andrade, Carlos)
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